"A
série de fotografias apresentadas na Exposição Translúcida
faz parte de um ensaio realizado numa antiga moradia. Nela, em uma área
externa, havia uma cobertura de telhas transparentes as quais tive a
oportunidade de fotografar várias vezes, aproveitando as possibilidades que a
luz e o local me ofereciam. Fotografei por meses, em dias e horários bastante
diversos, buscando obter imagens parecidas, mas, no entanto, com alguma
diferença entre elas."
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| Foto: Vander Bras |
'Após
concluir o ensaio, recordei-me de um filme realizado na década de 1990.
Trata-se de Cortina de fumaça, estrelado
por Harvey Keitel e William Hurt. O personagem de Keitel é dono de uma
tabacaria, frequentada por tipos bem peculiares. Fotógrafo amador, todo dia, às
8h., ele se coloca do lado de fora da loja e aponta a câmera para a mesma
direção, fazendo apenas uma única foto.
Um
dia, ele mostra ao personagem interpretado por William Hurt, um álbum com
centenas de fotografias daquele local. Ao vê-las, ele diz: “Mas, são todas
iguais”. Então lhe é mostrado que, apesar da semelhança, elas eram diferentes.
A luz não era a mesma em todas elas; os carros não se repetiam ou, se voltavam
a aparecer, estavam em posições ou movimentos diferentes; o transeunte que
figurava numa imagem, simplesmente desaparecia noutra, provocando uma ausência,
uma falta permanente. Assim como ocorre com qualquer pessoa que interage com o
mundo e com seus semelhantes. Um dia tudo desaparecerá. A fotografia não deixa
de ser uma forma de burlar o caráter mutável do tempo, tentando fazer com que
tudo permaneça e perdure.'
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| Foto: Vander Bras |
"Translúcida não deixa de ter uma característica parecida
com a de Cortina de fumaça. A
diferença é que nunca me detive em um único horário, mas fotografei o mesmo
objeto por algum tempo. Pude verificar também, principalmente após a conclusão
do trabalho, na fase de tratamento das imagens, que aquelas telhas eram capazes
de conter uma série de significados, para além da mera capacidade de proteger
do sol e da chuva. Na banalidade que as caracteriza, pude encontrar cores,
formas e a extensa trama que as constitui, reveladas pela exposição contínua ao
sol e pelas variações de temperatura. Descobri, por fim, sutis diferenças que
as impedem de serem idênticas, ainda que bastante parecidas."
Exposição Translúcida, de Vander Bras
Período: 16
de março a 30 de abril de 2015
Curadoria:
Prof. Renato Porto
Projeto
Mais Arte na Biblioteca, Espaço
Fotografia
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| Foto: Vander Bras |
“Fotografo
há algum tempo e minha formação mescla autodidatismo e o aprendizado por meio
de alguns cursos livres que tive a oportunidade de frequentar. Atualmente sou
aluno do Curso Tecnólogo em Fotografia da Universidade Fumec, buscando,
sobretudo, aprimorar meus conhecimentos. Essa procura resulta da consciência de
que a fotografia, enquanto campo da criatividade, exige aprendizado contínuo.
Tenho grande interesse por coisas absolutamente banais e que por isso, apesar
de presentes, cotidianas, nem sempre são vistas ou percebidas.”



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