Exposição Translúcida, de Vander Bras | 16 de março a 30 de abril de 2015

"A série de fotografias apresentadas na Exposição Translúcida faz parte de um ensaio realizado numa antiga moradia. Nela, em uma área externa, havia uma cobertura de telhas transparentes as quais tive a oportunidade de fotografar várias vezes, aproveitando as possibilidades que a luz e o local me ofereciam. Fotografei por meses, em dias e horários bastante diversos, buscando obter imagens parecidas, mas, no entanto, com alguma diferença entre elas."

Foto: Vander Bras
'Após concluir o ensaio, recordei-me de um filme realizado na década de 1990. Trata-se de Cortina de fumaça, estrelado por Harvey Keitel e William Hurt. O personagem de Keitel é dono de uma tabacaria, frequentada por tipos bem peculiares. Fotógrafo amador, todo dia, às 8h., ele se coloca do lado de fora da loja e aponta a câmera para a mesma direção, fazendo apenas uma única foto.

Um dia, ele mostra ao personagem interpretado por William Hurt, um álbum com centenas de fotografias daquele local. Ao vê-las, ele diz: “Mas, são todas iguais”. Então lhe é mostrado que, apesar da semelhança, elas eram diferentes. A luz não era a mesma em todas elas; os carros não se repetiam ou, se voltavam a aparecer, estavam em posições ou movimentos diferentes; o transeunte que figurava numa imagem, simplesmente desaparecia noutra, provocando uma ausência, uma falta permanente. Assim como ocorre com qualquer pessoa que interage com o mundo e com seus semelhantes. Um dia tudo desaparecerá. A fotografia não deixa de ser uma forma de burlar o caráter mutável do tempo, tentando fazer com que tudo permaneça e perdure.'

Foto: Vander Bras
"Translúcida não deixa de ter uma característica parecida com a de Cortina de fumaça. A diferença é que nunca me detive em um único horário, mas fotografei o mesmo objeto por algum tempo. Pude verificar também, principalmente após a conclusão do trabalho, na fase de tratamento das imagens, que aquelas telhas eram capazes de conter uma série de significados, para além da mera capacidade de proteger do sol e da chuva. Na banalidade que as caracteriza, pude encontrar cores, formas e a extensa trama que as constitui, reveladas pela exposição contínua ao sol e pelas variações de temperatura. Descobri, por fim, sutis diferenças que as impedem de serem idênticas, ainda que bastante parecidas."

Exposição Translúcida, de Vander Bras
Período: 16 de março a 30 de abril de 2015
Curadoria: Prof. Renato Porto
Projeto Mais Arte na Biblioteca, Espaço Fotografia


Foto: Vander Bras
Fotografo há algum tempo e minha formação mescla autodidatismo e o aprendizado por meio de alguns cursos livres que tive a oportunidade de frequentar. Atualmente sou aluno do Curso Tecnólogo em Fotografia da Universidade Fumec, buscando, sobretudo, aprimorar meus conhecimentos. Essa procura resulta da consciência de que a fotografia, enquanto campo da criatividade, exige aprendizado contínuo. Tenho grande interesse por coisas absolutamente banais e que por isso, apesar de presentes, cotidianas, nem sempre são vistas ou percebidas.”

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