No período de 02 de fevereiro a 10 de abril, na mostra
inaugural do ano letivo da Universidade FUMEC, a Biblioteca da FCH apresenta a Exposição IN[COR]PORAR, do artista plástico Alexandre Rato.
Sob a curadoria do Prof. Dr.
Sérgio Laia, IN[COR]PORAR é uma exposição que reúne cerca de 20 obras, dentre
pinturas e desenhos com técnicas variadas tais como óleo, acrílica, spray, marcadores, nanquim, aquarela,
lápis, colagens e outras. Os suportes também são distintos e se alternam entre
madeira, telas, papéis de parede, páginas de livros antigos ou intervenção
direta no espaço expositivo, sendo que suas dimensões se apresentam entre
pequenos, médios e grandes formatos.
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"A cidade e seus afetos que escorrem,
sutilmente escapam", Técnica mista sobre papel, 2014
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Para o Prof. Sérgio Laia, 'a
profusão que o trabalho de Alexandre Rato incorpora – no seu uso intenso das
cores, na diversidade de materiais, técnicas, suportes e formatos – capta o
olhar e guarda a espessura própria dos enigmas: Onde começa um rosto e onde ele
se apaga? Quando a forma é humana e quando ela se transmuta em animal, paisagem
ou uma parte de uma casa, uma janela, um muro? Em que pontos o vivo se decompõe
ou os corpos se ossificam ou se mascaram? O que é texto e o que é traço? Onde
termina a parede e começam os quadros? Como o que pode ser visto na rua, nos
muros, na cidade também é retrato, quadro, silks
de camiseta, tatuagem, imagem onírica? Se, frente a essa densidade
enigmática, o olhar fizer apelo a um guia, a alguma regulação, eu me permitiria
oferecer-lhe três referências:
1)
Foucault, em um texto dedicado a um célebre e
enigmático quadro de Magritte, nos ensina que uma das grandezas desse pintor é
o modo como, em seus quadros, a semelhança é dissociada da similitude e esta
última corrói a primeira. Afinal, se a semelhança pressupõe um “elemento
original que ordena e hierarquiza”, o similar dá lugar a “séries que não têm
nem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não
obedecem a nenhuma hierarquia, mas se propagam de pequenas diferenças em
pequenas diferenças”, Não é a essa fluidez inquietante e diferencial que nos
lançam os trabalhos de Alexandre Rato?
2)
Lígia Clark, célebre artista brasileira, inova
a pintura e a escultura ao retirar do quadro a moldura. Primeiro (e retomo aqui
o título da exposição de Alexandre Rato) ela incorporar a moldura ao quadro e,
mais adiante, os transmuta em casulos, de onde saíram bichos e fitas com
torções capazes de implodir completamente a separação tão cara ao humano (e
mesmo à psicologia) interior-exterior.
3)
Certa vez, se não me engano em uma entrevista,
o saudoso poeta, crítico e tradutor brasileiro Décio Pignatari, foi provocado
com a insistente pergunta que se faz de por que a arte contemporânea seria de
difícil assimilação por um público mais amplo, como se ela fosse apenas para os
“iniciados”. O problema, respondeu Décio Pignatari, não é da arte contemporânea
ou de seus artistas, mas da permanência, entre nós, do que se entende como “arte”.
Afinal, continuava ele, quando qualquer um vai escolher uma estampa para um
vestido ou a cor de um carro, em geral não se depara com uma impotência quanto
à apreciação estética e, acrescentaria, em geral, nesses casos, não se acha
bonito um carro estampado com a Monalisa de Da Vinci, nem se prefere um vestido
com a reprodução exata de uma pintura holandesa do século XVII. Em outros
termos, a arte contemporânea está mais próxima da vida, dos nossos corpos e do
nosso dia-a-dia. É o que também se dá a ver no que Alexandre Rato generosamente
incorporou à Biblioteca da FCH, neste início de ano em que vamos comemorar os
50 anos da Universidade FUMEC.'
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"Trabalho em processo...," Técnica mista sobre papel
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Segundo Alexandre Rato, artista
visual formado pela Escola Guignard e cujas obras foram expostas em diversas
mostras e espaços públicos em Minas Gerais e em São Paulo, “as imagens apresentam-se como um campo de
investigação do que o ser humano é e o que ele poderia ser, mas também
apresenta situações fantásticas que o sujeito só pode contemplar através de
sonho ou devaneio”. Assim, o artista desenvolve suas narrativas integrando
figuras que habitam o consciente, misturadas às imagens que permeiam o
inconsciente.
INCORPORAR é uma palavra que
sintetiza as temáticas dessa mostra, pois ao fragmentar a palavra, várias
outras surgem como possibilidade de leitura: IN (dentro) COR (luz, ilusão,
sensação) CORPO (objeto, matéria, carne, história, mudança, tempo) ORAR (absurdo,
mágico, fantasmagórico, espiritual, intuição, transcendência) AR (elemento
essencial, arte de rua, sigla para Alexandre Rato). A mescla entre o espaço
onde se realiza a mostra (uma biblioteca universitária) e a exposição – desde a
concepção do título e seleção das peças até a intervenção direta realizada no
local – reitera o caráter integrativo e orgânico-corpóreo presente em todas as
obras de Alexandre Rato.
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| "Tudo que faz nascer saudade", OST, 2015 |
SERVIÇO
Exposição IN[COR]PORAR
Artista: Alexandre Rato
Período: 02 de fevereiro a 10 de abril de 2015
Curadoria: Prof. Dr. Sérgio Laia
Projeto
Mais Arte na Biblioteca
Local: Biblioteca da FCH | Universidade FUMEC
– Rua Cobre, n.º 200 – Cruzeiro
Horário: 07h30min até 22h30min (segunda a sexta-feira.)
| 08h às 14h (sábados)
Apoio: Gráfica O Lutador; DCE Construção
Coletiva
Contatos: (31) 3228-3033, 8834-4647 | alexandre.ar@gmail.com
Entrada
franca
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